A raça Guzerá de “A” a “Z”.

A
ALINHAMENTO, Cabeça com Tronco – (V. Cabeça).
ALINHAMENTO DORSO-LOMBAR – (V. Dorso-Lombo).
ALINHAMENTO DORSO-SACRO – (V. Longilineidade).
ALINHAMENTO VENTRAL – (V. Ventre).
ALTURA DO TRONCO – A altura do tronco (corpo) é igual à altura dos membros, no animal ideal. Animal pernudo ou pernalta não significa rendimento; é um “mito” nos trópicos.
ALTURA TOTAL – A altura, total do animal, na cernelha (garrote) é igual a duas vezes a altura do corpo, ou dos membros. Ou a soma da altura do corpo e a altura dos membros.
ANCAS – Bem afastadas, no mesmo nível de um lado e outro, moderadamente salientes. Condenam-se aquelas pouco afastadas e muito salientes.
ANDAMENTO – O passo do Guzerá é longo, ao contrário do Nelore e das raças tipicamente de corte. O animal com aptidão para corte pisa pouco atrás da marca deixada pela mão. Os animais leiteiros pisam com o pé acima ou até um pouco adiante da marca deixada pela mão. O Guzerá coloca o pé quase sobre a marca deixada pela mão. A cadência é ditada pela estrutura óssea e, no Guzerá, é um fator de economia de pastagens. Alterar a cadência típica do Guzerá é quebrar sua versatilidade. (V. Membros Posteriores, posição)
ANDAMENTO, Ângulo de Ouro – O passo normal forma um ângulo de 56 graus. O ângulo de ouro seria 56,25 graus. Os animais com aptidão para corte apresentam o ângulo menor.
ANEL DO FOCINHO – (V. Focinho).
ANEL DO CHIFRE – (V. Chifre).
ANEL DA IDADE – (V. Chifres).
ÂNGULO DA CABEÇA COM PESCOÇO – (V. Cabeça).
ÂNGULO DO PESCOÇO COM TRONCO – (V. Pescoço).
ÂNGULO DO BRAÇO – (V. Braço).
ÂNGULO DAS QUARTELAS – (V. Quartelas).
ÂNGULO DA GARUPA – (V. Garupa).
ÂNGULO DE OURO, no andamento – (V. Andamento, Ângulo de Ouro).
ÂNGULO DE OURO, na mão e no pé – (V. Pé e Mão).
ARQUEAMENTO DE COSTELAS – (V. Costado).
ÂNUS – Normalmente é de coloração escura, desprovido de pêlos. Manchas claras, pequenas ou rajadas, são desclassificantes.
APRUMOS DIANTEIROS – Visto de lado, a linha perpendicular que passa pelo centro do cupim e pelo membro dianteiro atinge o solo um pouco antes do talão. A linha perpendicular baixada da ponta da espádua atingirá o solo a cerca de 5 centímetros antes da unha.
APRUMOS POSTERIORES – A linha perpendicular que passa pelo ponto da inserção da cauda e pelos membros traseiros atinge o solo um pouco atrás do talão. Uma linha perpendicular que tangencia a extremidade da nádega também tangencia os jarretes, chegando ao solo a cerca de 10 centímetros do talão. Se a linha que passa pela inserção da cauda passar por detrás dos membros traseiros, então o animal terá problemas para suportar um grande peso. Essa característica, no entanto, é comum em muitos animais da raça Gir e, devido às mestiçagens realizadas antigamente, algum animal moderno pode surgir com tal marca.
ARCADAS ORBITÁRIAS – Essa é uma característica importante no Guzerá. As arcadas são salientes, emoldurando os olhos que ficam protegidos nos machos por rugas de pele. As arcadas determinam os limites do “prato” na fronte. (V. também Olhos).

B
BARBELA – De tamanho médio, enrugada, solta e flexível, estendendo-se até o umbigo, com reentrância característica no terço médio. Barbela reduzida é desaconselhada. A barbela é bífida, na origem. Animais sem barbela na garganta são considerados inferiores.
BAÍNHA – Reduzida, admitindo-se a média. A distância entre o ventre e a extremidade do prepúcio é similar à altura do cupim. A tendência é reduzir a baínha, cada vez mais.
BOCA – Bem conformada, com lábios fortes. Uma assimetria nos anéis no início da laringe pode provocar a ronqueira. (V. também Focinho).
BOCHECHA – São amplas e bastante secas.
BOLETO – Espesso, largo, engloba o esporão (machinho). (V. também Quartela).
BOLSA ESCROTAL – Apresenta a pele fina, flexível e bem pigmentada, contendo dois testículos de desenvolvimento normal. Testículos que se movimentam exageradamente quando o animal caminha indicam pequena longevidade funcional. Bolsa bem protegida por dobras de pele do corpo indicam aptidão leiteira, segundo criadores tradicionais, pois as filhas terão úbere bem protegido, com certeza. Características condenáveis: criptorquidismo, monorquidismo, hipoplasia e hiperplasia.
BOLSA ESCROTAL, colocação – Quanto mais perto da perpendicular que passa pelo osso sacro, mais leiteiro será o animal; quanto mais perto da perpendicular que passa pela inserção da cauda, mais será indicado para o corte.
BOLSA ESCROTAL, distância vital – É a distância entre o centro da bolsa e o prepúcio. Indica a distância que os espermatozóides têm que percorrer para iniciar a fecundação da fêmea. Sendo similar ao comprimento da cabeça, o animal é normal. Sendo inferior, o animal é muito fértil. Sendo superior, o animal será menos fértil.
BRAÇO, ângulo – Braço comprido e fino indica hipo-fecundidade. O ângulo varia de 25 a 40 graus. Quanto menor, mais aptidão para o arrasto. Quanto maior, indica mais aptidão para o salto. (V. também Membros Anteriores) (V. também Espáduas).

C
CABEÇA, aparência geral – Larga, relativamente curta, expressiva. É desclassificável a cabeça estreita e longa. A frente é inserida numa forma triangular.
CABEÇA, alinhamento – A linha que passa pelos olhos e pelas narinas, é paralela à que tangencia o topo do crânio e a parte superior do focinho, quando vista de perfil.
CABEÇA, alinhamento com o pescoço – O normal é um ângulo de 90 graus. Quando está nervoso, o animal levanta o focinho, aumentando o ângulo da cabeça com o pescoço.
CABEÇA, comprimento – A linha que vai do topo da cabeça até a ponta do focinho é o dobro da amplitude entre os olhos, com tolerância de 10% (“A geometria do Zebu”).
CABEÇA, largura – Corresponde a 50 ou 60% do comprimento da mesma, nos machos. As fêmeas apresentam a cabeça mais estreita (“A geometria do Zebu”).
CABEÇA, ângulo facial – É formado pelas linhas que saem da região média do focinho em direção às inserções das orelhas no crânio. O ângulo normal varia entre 38 a 43 graus. Um ângulo maior indica provável influência de taurino. Sendo menor, indica animais silvestres.
CANELA – De forma elíptico ou ovalado, mas admitem-se animais com o corte cilíndrico. Seu perímetro corresponde, em geral, a 10% do torácico.
CANGADO, animal ou pescoço – (V. Pescoço).
CAPACIDADE RESPIRATÓRIA – Indicada por narinas dilatadas, focinho e chanfro amplos, boa respiração.
CAPACIDADE CIRCULATÓRIA – Indicada por focinho úmido, olhos vivos e alegres, couro flexível, pêlos finos, macios e oleosos.
CAPACIDADE ABDOMINAL – (V. Ventre).
CARCAÇA – Deve ser a mais lucrativa possível, respeitando as características da raça, ou seja, respeitando a conformação esquelética peculiar. Sendo cilíndrica indica aptidão para corte. Sendo oblíqua na parte superior e arredondada na parte do baixo-ventre indica aptidão leiteira. (V. também Costelas e Costado).
CASCOS – A altura, na parte frontal dos cascos, é o dobro da verificada atrás (talões). São de cor preta, tamanho médio, lisos, bem conformados e resistentes. São rejeitados os cascos brancos e rajados.
CAUDA – Estende-se até o jarrete, podendo ultrapassá-lo. A inserção no tronco é harmoniosa, não saliente. A distância que vai da inserção ao sacro corresponde a 2/3 do comprimento da cabeça, em geral. Muitos criadores tradicionais preferem a cauda afinada, ao invés da grossa. Diz-se que cauda achatada na parte superior é sinal de leite. (V. também Vassoura)
CAUDA, inserção no tronco – Quando a inserção da cauda situa-se bem avançada em direção ao osso sacro indica aptidão leiteira. Sendo bem próxima da extremidade das nádegas indica aptidão para corte.
CAUDA, proteção – Havendo fartas dobras de pele protegendo a área de inserção no tronco, será claro indício de aptidão leiteira. Se a cauda passa quase enterrada e apertada entre os ísquios diz-se que a fêmea é boa parideira e criadeira.
CERNELHA – (V. Longilineidade).
CÍLIOS – São normalmente pretos. Admitem-se os cílios mesclados, principalmente quando os olhos são “gateados”, mas são rejeitados os cílios avermelhados ou brancos. (V. Olhos).
CIMEIRO – (V. Maneios).
CHANFRO – Reto, relativamente curto e largo nos machos, mais comprido e estreito nas fêmeas. Chanfro cortante, bem como a presença de desvios, são condenados. Também o encarneiramento (subconvexidade) ou o comprimento excessivo são condenáveis. Um bom sinal de pureza é a presença lateral de uma veia grossa, paralela à linha que determina a excelência do perfil, principalmente nas vacas.
CHIFRES – São bem desenvolvidos, simétricos, de secção circular ou elíptica na base, dirigindo-se horizontalmente para fora, ao sair do crânio, curvando-se para cima, em forma de lira ou torquês, com as pontas voltando-se para dentro e para trás. Normalmente, a altura total dos chifres corresponde ao comprimento da cabeça, no máximo. Rejeitam-se chifres curtos, ou claros, fugindo da forma de lira ou torquês e aqueles voltados para frente. São rombudos, ou seja, nunca deveriam apresentar pontas finas e cortantes. Admitem-se anéis claros na base, mas nunca brancos. Tradicionais selecionadores preferem chifres achatados na bases (ovalados), com leve torção e saliente depressão no ponto da inserção no crânio, a que denominam “estrangulamento dos chifres”. Essa característica é marcante nas fêmeas e constitui um dos símbolos da pureza racial do Guzerá. Este “anel de estrangulamento” facilita prender o animal com o laço. A região do “anel de estrangulamento” pode apresentar uma cobertura de couro cabeludo. No 3o ano surge o primeiro anel no chifre e, a cada ano consecutivo, outros irão surgindo, permitindo-se ver a idade do animal.
CHIFRES, ausência – Foi aprovado o descornamento do Guzerá, no Brasil. Assim, os animais podem ser descornados logo nas primeiras semanas de vida. É uma prática para facilitar o comércio, o manejo e o transporte do gado.
COLORAÇÃO – (V. Pelagem).
COMPRIMENTO DO ANIMAL – A medida deve ser feita com o animal em seu estado natural de alerta. A linha que vai do topo da cabeça até a perpendicular que determina o aprumo anterior corresponde à metade da distância que vai desta linha até aquela que determina o aprumo posterior. A distância horizontal entre os membros é similar à distância que vai da cruz (garrote) até os testículos.
COMPRIMENTO DA CABEÇA – (V. Cabeça, comprimento).
CONSTITUIÇÃO – Deve ser robusta. Não se admitem animais grosseiros ou fracos. Por outro lado, rejeitam-se os leoninos, ou seja, de frente avantajada.
COR – (V. Pelagem).
COROA – Apresenta pêlos abundantes, finos e bem assentados. Acredita-se que, assim, indicam uma boa condição de fertilidade.
COSTADO – Nas fêmeas, a região mediana do costado nunca deve apresentar depósitos de gordura. Sem depressão atras das espáduas. (V. também Costelas).
COSTELAS – Compridas e bem arqueadas, afastadas, com espaços intercostais bem revestidos de músculos, sem depressão atrás das espáduas. Costelas mais longas, mais espaçadas, mais achatadas indicam aptidão leiteira.
COSTELAS DE LEITE – Quando as costelas são bastante oblíquas indicam aptidão para leite. O animal de corte apresenta as costelas visivelmente menos oblíquas. Quando o espaço entre a última e penúltima costela for muito avantajado indicará aptidão leiteira, principalmente nas fêmeas.
COURO – (V. Pele).
COXAS – Quando bem separadas indicam um animal leiteiro. Sendo fortes e unidas indicam aptidão para corte. A coxa ideal apresenta o “triângulo da perfeição”, ou seja: a distância que vai do íleo ao ísquio é igual à que vai do ísquio até à soldra e igual à que vai da soldra até o íleo. Condena-se a deficiente formação muscular.
CRÂNIO – Razoavelmente pequeno e estreito em comparação com os taurinos. Também menos grosso e pesado (V. também Cabeça).
CULOTE – No Guzerá, o culote é harmonioso, descendo até perto dos jarretes. Sendo liso e escorrido recebe o nome de “quarto-de-frango”, sendo côncavo com nádegas pobres é o “quarto-de-cavalo”, sendo muito cheio com concavidade acentuada recebe o nome de “quarto-de-porco”.
CUNHA DE LEITE – As fêmeas leiteiras apresentam o corpo em forma de três cunhas: a) vista de perfil; b) vista por cima; c) vista por trás. A ciência comprovou, nos Estados Unidos, que há vacas com as “cunhas” e que, no entanto, são péssimas na produção de leite.
CUPIM – (V. Giba).

D
DESENVOLVIMENTO – Deve ser de acordo com a idade. O Guzerá é, normalmente grande, de bom peso. O excessivo comprimento dos chifres, para pouca idade, denuncia uma fraude no Registro.
DISTÂNCIA VITAL – (V. Bolsa escrotal).
DORSO – Deve ser amplo. Os indianos dizem que o animal nobre é aquele em cujo dorso seis pessoas conseguem fazer a refeição, com seis pratos. Deve manter, rigorosamente, a linha horizontal.
DORSO-LOMBO, Alinhamento (Linha) – Deve ser uma linha larga e reta, tendendo para a horizontal, harmoniosamente ligada à garupa, apresentando boa cobertura muscular. Condenam-se a lordose (côncava), cifose (convexa) ou escoliose (com desvios laterais).

E
EFICIÊNCIA REPRODUTIVA – O lucro da atividade está na quantidade de crias desmamadas. Nem sempre a fêmea com excelente índice de ER indica um bom animal, pois pode ser parideira e, no entanto, ser uma péssima criadeira. Sacrificar a cria para garantir um intervalo entrepartos curto pode não ser um bom negócio para a fazenda!
ESCLERÓTIDA – Tradicionais criadores rejeitam os animais que apresentam a esclerótida visível e de cor clara. Os olhos são negros, não havendo espaço para exibir qualquer nesga clara da esclerótida. (V. Olhos).
ESCROTOS – (V. Bolsa escrotal).
ESPÁDUAS – Condena-se a espádua leonina, isto é, muito espessa, tornando a frente do animal mais volumosa que o posterior. Espáduas pobres em musculatura indicam hipofecundidade. A linha perpendicular que passa pela ponta da espádua atinge o solo a 5 centímetros antes da fenda das unhas do animal. Animais com espáduas “aladas”, isto é, projetadas para fora, são menosprezados. O ângulo entre o braço e o escápulo é de 75 a 90 graus. As espáduas são compridas e oblíquas, bem cobertas de músculos, inserindo-se harmoniosamente ao tórax.
ESPELHO NASAL – (V. Focinho).
ESPORÃO – (V. Boleto).
ESTADO GERAL – O animal deve ser sadio e vigoroso. O Guzerá é reconhecido como raça ativa e altiva, esbanjando saúde.
EXCREMENTOS – (V. Metabolismo).

F
FLANCOS – Inclui o “vazio”, um espaço triangular que, quanto maior, mais indicará aptidão leiteira.
FOCINHO – Preto, dilatado, dando a impressão de ser um pouco achatado contra o chanfro, com o contorno saliente, narinas também dilatadas. É volumoso em comparação com o chanfro a ponto de, sendo enfiado um anel estreito, este não sairá com facilidade. A cor clara, ou “lambida” é rejeitada, bem como o lábio leporino.
FRONTE – Não existem depressões nas laterais da fronte ou testa, que são típicas de animais mestiços com taurinos. A forma é de “prato” reto, ou até ligeiramente côncava, sendo condenada a presença de “goteira”, ou um sulco vertical, como no Nelore. (V. Rugas)

G
GARROTE – (V. Longilineidade).
GARUPA – Comprida, larga, unida ao lombo no mesmo nível, sem saliência ou depressões e bem revestida de músculos. São condenadas as garupas estreita, curtas, caídas, e com pobreza muscular. O comprimento é igual ao da cabeça, no animal normal. Entre comprimento e largura, muitos selecionadores preferem o comprimento. O ângulo de inclinação é de 25 a 30 graus, em geral, embora a tendência seja reduzir o máximo possível, já havendo animais com garupa de 15 graus..
GIBA – Vale lembrar que o cupim é característica essencial no bom macho. O cupim é bem implantado sobre o garrote (cernelha), desenvolvido, em forma de rim ou castanha de caju, apoiando-se sobre o dorso, nos machos. Mais reduzido, chegando a pequeno e menos caracterizado quanto à forma e apoio, nas fêmeas. Admitem-se uma pequena inclinação e reentrâncias laterais. Condenam-se os pouco desenvolvidos, redondos nos machos, muito inclinados, tombados. A linha que se prolonga do pescoço, passando pela base do cupim liga-se e continua adiante, suavemente pelo dorso. O comprimento do cupim, nos machos, corresponde ao da cabeça.
GIBA, posição – O início do cupim sobre o pescoço é determinado pela linha que passa pela ponta da espádua, verticalmente ao solo. O centro do cupim coincide com a perpendicular que passa pela cruz, pelos membros, e define os aprumos do animal. Cupim adiantado, nos machos, não é apreciável. Nas fêmeas, o cupim (giba) um pouco avançado é bastante comum.
GORDURA – (V. Maneios).
GOTEIRA – A “goteira” é um sulco vertical profundo na fronte do animal. É uma característica desclassificante na raça Guzerá, pois indica o Grupo de raças do Nelore (V. também Fronte).

H
HARMONIA GERAL – É a soma das seguintes descrições do Padrão: a) Estado geral; b) Desenvolvimento; c) Constituição; d) Ossatura; e) Musculatura; f) Sexualidade; g) Temperamento. (V. também a descrição de cada tópico).

I
IDADE, Anel da – (V. Chifres).
ÍLEOS – São os ossos da “cadeira”, que determinam a largura do tronco. A boa fêmea apresenta a distância íleo-ísquio igual à distância íleo direito-íleo esquerdo. Ou seja, o comprimento total da garupa será praticamente igual à largura total do animal.
INSERÇÃO DA CAUDA – (V. Cauda).
INSERÇÃO DO ÚBERE – (V. Úbere).
ÍSQUIOS – A distância entre os ísquios corresponde à metade da verificada entre os íleos, com variação de 10%.

J
JARRETES – Fortes e espessos, acentuadamente visíveis na composição do membro. São indesejáveis quando muito retos (“perna-de-pau”). Animais sem jarrete proeminente devem ser descartados da seleção, pois não suportarão grande esforço no correr do tempo.
JOELHO – Quando é pouco espesso, indica um animal de pouca precocidade.

L
LENÇOL – O “lençol”, ou seja, a cor na intersecção das nádegas, vistas de trás, com mais de um palmo de largura, em tom mais claro que as nádegas, indica que a progênie será clara… é um fator a ser evitado, se possível. (V. Pelagem).
LEONINO – (V. Espáduas).
LINHA DORSO-LOMBAR – (Ver Dorso-Lombo).
LINHA VENTRAL – (V. Ventre).
LOMBO – Um lombo proeminente, alto e musculoso, indica superioridade.
LONGILINEIDADE – É indicada pela linha que tangencia o sacro e, horizontalmente, passa pelo garrote (cernelha). Também indica um tronco longilíneo, onde a linha horizontal dorso-lombar é paralela à linha ventral.

M
MACHINHO – (Ver Boleto).
MANEIOS – São provocados pelo excesso de alimentação. Surgem na seguinte ordem: peito, paleta, costelas, gordinho e cimeiro. No final da engorda surgem: no escroto, entrenádegas e orelhas. Afora estes existem outros pontos de que exigem atenção: anteleite (no úbere ou escroto), flancos, lombeiros, coração, contra-coração, baixo-língua, etc. Quando surge um maneio é hora de analisar melhor a alimentação.
MARRAFA – Vista de frente é retilínea ou ligeiramente subcôncava, de comprimento (amplitude) mediana. Melhor se não apresentar excrescência óssea (“nimburi”). Seleciona-se, cada vez mais, a marrafa subcôncava (V. Nimburi).
MEMBROS ANTERIORES – De comprimento médio, bem musculosos, colocados em retângulo, afastados, mas não semelhantes aos taurinos, bem aprumados, com ossatura forte. A espádua é comprida, oblíqua, bem coberta de músculos, inserindo-se harmoniosamente ao tórax. Membros muito longos ou curtos são menosprezados. (V. Espáduas).
MEMBROS ANTERIORES, posição – Vistos de frente, do joelho para o solo, os membros são perpendiculares. Acima dos joelhos, são oblíquos. Membros retos, desde o tronco até o solo não são comuns no Guzerá, embora muitos acreditem que seja uma característica desejável. A obliquidade nada tem a ver com a capacidade respiratória do animal. Já os membros verticais abaixo do joelho indicam a excelência em aprumo.
MEMBROS POSTERIORES – De comprimento médio, coxas e pernas largas, com boa cobertura muscular, descendo até os jarretes, com culotes bem pronunciados. Pernas bem aprumadas, perpendiculares e afastadas. Condenam-se os membros excessivamente longos ou curtos, bem como coxas e nádegas com deficiente formação muscular. Não se admitem aprumos defeituosos. A articulação coxo-femural mais ampla indica passos curtos e aptidão para corte. Sendo mais fechada indica passos mais longos e aptidão para leite.
MEMBROS POSTERIORES, posição – Mais importante que a abertura dos membros é a profundidade do posterior: o Guzerá tem grande amplitude de coxa, culote pronunciado, sem exagero, chegando perto dos jarretes. A abertura dos membros na pisada, tanto anteriores como posteriores, é idêntica.
METABOLISMO – O animal sadio apresenta excrementos normais, ruminação normal, ausência de corrimento nasal, tosse ou ronqueira e sensibilidade normal.
MOLDURA – Animal de moldura craniana larga, olhais grandes, narinas grandes, será grande. Animal de moldura craniana estreita, olhais pequenos, narinas estreitas, será raquítico. (V. Cabeça).
MOVIMENTAÇÃO – (V. Andamento).
MUSCULATURA – compacta, bem distribuída pelo corpo. O excesso de gordura é condenável em todas as raças. (V. maneios).

N
NÁDEGAS – A flacidez nas carnes indica hipofertilidade. Rugas na conjunção inferior das nádegas indicam aptidão leiteira. O prolongamento do “cordão”, ou faixa clara que acompanha a intersecção das nádegas, chegando até à região inguinal indica aptidão leiteira. Se a mão penetrar facilmente na região entrenádegas, o animal é leiteiro; se entrar com dificuldade, o animal é de corte.
NARINAS – (V. Focinho).
NIMBURI – É admissível a protuberâncea óssea no topo e centro da cabeça (marrafa). Seleciona-se sua redução ou desaparecimento. A marrafa, limpa, ou seja, sem nimburi, é o ideal, até porque seleciona-se a forma subcôncava e não a retilínea.

O
OLHAL – Quando apresenta uma acentuada depressão indica que houve mistura de sangue taurino remotamente. Segundo Oswaldo Affonso Borges, “esse seria o último sinal a desaparecer na progênie de tais produtos”. Uma coisa é arcada saliente no Guzerá e outra é uma depressão no olhal.
OLHOS – São pretos, elípticos cujas órbitas são ligeiramente salientes, protegidos nos machos por rugas de pele na pálpebra superior, cílios pretos, olhar vivo. Admitem-se os cílios mesclados e olhos “gateados”, mas são condenados os olhos saltados (exoftálmicos), cílios avermelhados ou brancos. Tradicionais criadores rejeitam, também, os animais que apresentam a esclerótida visível e de cor clara. A distância que vai do topo da cabeça até os olhos corresponde a 3/8 do comprimento total da cabeça. É importante observar que o Zebu apresenta os olhos na lateral da cabeça e não na frente, sendo esta uma característica taurina. (V. Rugas)
ORELHAS – De tamanho médio, são relativamente largas, pendentes, com pontas arredondas, medianamente voltadas para a face, com visível reentrância característica no bordo inferior. Orelhas curtas ou muito longas são condenadas, mas admitem-se orelhas sem uma acentuada reentrância no bordo inferior. Medidas realizadas determinam um comprimento entre 0,65 a 0,70 do comprimento da cabeça, com 5% de variação. Face interna de cor alaranjada, com ou sem manchas pretas (“vírgulas”). Quanto mais alaranjada, melhor será o teor de gordura no leite.
ORELHAS, movimento – Descrevem um semicírculo para atingir a posição de alerta. Condena-se o movimento retilíneo (típico do Nelore) e o movimento flácido (típico do Gir e do Indubrasil). Em posição de alerta, as orelhas formam um ângulo de 45 graus com o eixo da fronte, quando vistas de frente.
ORELHAS, quatro – Os animais “quatro orelhas” apresentam a orelha normal e, sobre o lado externo do pavilhão, perto da inserção no crânio, surge uma minúscula “orelha”. Esta característica vem de uma linhagem leiteira da Índia e foi mantida no Guzerá brasileiro, embora seja uma excrescência, cada vez menos encontrada.
ÓRGÃOS SEXUAIS E GENITAIS – São o escroto, a baínha, o prepúcio, a vulva. (V. cada ítem).
ÓRGÃOS DE LEITE – São o úbere e as tetas (V. cada ítem).
OSSATURA – Deve ser forte, com ossos chatos, nunca redondos ou finos, nem muito grande grandes e grossos.
OSSO SACRO – Quando saliente, estará indicando animais com futuros problemas de parição. O normal seria manter a mesma altura que as extremidades dos íleos. Condena-se o muito saliente.
OSSOS VISÍVEIS – Normalmente, a campo, o animal apresenta extremidades ósseas, nos seguintes locais: espádua, garrote, vértebras, ancas, pontas das nádegas. No animal com aptidão leiteira podem aflorar outras extremidades ósseas.

P
PALETA – A paleta deve estar harmoniosamente inserida no corpo. Depressão na paleta e falta de cobertura muscular são graves defeitos.
PÁLPEBRAS – A coloração rósea na pálpebra é um detalhe rejeitado no Guzerá (V. Olhos).
PASSO – (V. Andamento) (V. Membros Posteriores, posição)
PEITO – Bem largo, com boa cobertura muscular, sendo condenável o peito estreito. a) o animal de corte tem peito largo, com costelas bem arqueadas. b) o animal com aptidão mista apresenta o peito alto com costelas compridas. c) o animal leiteiro apresenta o peito profundo com costelas distanciadas.
PELAGEM – Varia do cinza claro ao cinza escuro, lembrando o azulego. Os terços anteriores e posteriores são geralmente mais escuros, podendo atingir, às vezes, o negro. Nas fêmeas, a pelagem é mais clara. Admite-se o tom branco nas fêmeas. Ultimamente, também estão sendo toleradas a tonalidade avermelhada na marrafa e outras pequenas nuances. Rejeitam-se a cor totalmente preta, a amarela, a amarela-cobre, a vermelha, a barrosa, a branca nos machos, e a presença de pintas claras ou escuras. Também é rejeitada a mudança brusca do tom escuro para o tom mais claro: a mudança deve ser suave. Animais de rosto escuro podem apresentar a periferia do espelho nasal em tom claro (um “anel” claro). O “lençol” amplo deve ser evitado, se possível.
PELAGEM DA FERTILIDADE – A fertilidade é indicada pelo escurecimento no pescoço, braços, nádegas e marrafa. Quando as partes pretas esmaecem é sinal que a libido também se reduziu! O animal castrado perde a coloração escura, rapidamente.
PELE – A pele do Guzerá é escura, normalmente. Tonalidades rosas devem ser evitadas, sempre que possível.
PERÍMETRO TORÁCICO – (V. Tórax).
PERÍNEO – Apresenta a pele fina, de cor mais clara, com cordão claro e estreito. A cor rósea não é apreciada nesta região, bem como a presença do “lençol” (V. Lençol).
PERFIL – De subcôncavo a retilíneo, sendo condenado o convexo. Aparenta uma ligeira convexidade na região das arcadas orbitárias, pois estas são salientes.
PESCOÇO – Deve ser médio, bem musculoso, com implantação harmoniosa ao tronco, mais comprido e delicado nas fêmeas. Condenam-se os pescoços curtos e grossos, ou excessivamente longos e finos. O comprimento ideal é semelhante ao comprimento da cabeça. Em estado de alerta, o pescoço apresenta um ângulo de 45 graus em relação ao tronco, nos machos. Acima disso indicam animais arredios. As fêmeas variam de 30 graus (animais leiteiros) até 45 graus (mais ativas). Acima disso, são indóceis.
PESCOÇO-DORSO, alinhamento – A linha que se prolonga do pescoço, passando pela base do cupim liga-se e continua adiante, suavemente pelo dorso. Está errado dizer que a linha superior do pescoço, quando não se une harmoniosamente com a linha dorsal, indica um animal “cangado”. No Guzerá, o peso da canga nunca influenciou o deslocamento da linha do pescoço, para baixo!
PESCOÇO CANGADO – A parte superior próxima da nuca, sendo convexa, ligeiramente, recebe o nome de “cangado” ou “animal cangado”, indicando um animal de qualidade superior. Este “pescoço de cisne”, perto da nuca, evita que a canga atingisse diretamente os chifres.
PESO – (V. Porte).
PESTANAS – (V. Olhos).
PORTE – Não se deve confundir Porte e Peso de um animal com o rendimento da fazenda. A excelência animal implica em se buscar o maior porte e o maior peso dentro das condições ecológicas regionais. Querer padronizar o porte e o peso, independentemente da condição bioclimatológica, leva a prejuízos.
PREPÚCIO – Deve ser recolhido, admitindo-se um pequeno prolapso e condenando-se o relaxado. Apresenta um ângulo adequado à cópula, rejeitando-se aqueles que pendem verticalmente.

Q
QUARTELA – Apresenta-se larga, espessa e seca, mantendo um ângulo de 60 graus com o solo, no membro posterior e entre 45 e 60 graus, no membro anterior. O “ângulo de Ouro” seria 56 graus! Quartela mais longa e inclinada indica aptidão leiteira; mais curta e vertical indica aptidão para corte.
QUARTO-DE-FRANGO – (V. Culote).
QUARTO-DE-CAVALO – (V. Culote).
QUARTO-DE-PORCO – (V. Culote).
QUEIXO – Apresenta-se encaixado na cavidade bucal. Desaconselha-se o indivíduo com excesso de queixo.

R
RUGAS – Rugas profundas oblíquas nos cantos da fronte indicam emotividade. Rugas profundas que tendem à horizontalidade indicam forte emotividade. Rugas verticais nos cantos dos olhos indicam curiosidade. (V. Fronte).

S
SACRO – (V. Osso Sacro).
SEXUALIDADE – Deve ser bem acentuada. Animais com sexualidade invertida são condenados, pois em pecuária, “macho é macho” e “fêmea é fêmea”.
SOBRANCELHAS – (V. Olhos).

T
TALÕES – (V. Cascos).
TEMPERAMENTO – Ativo, mas dócil. Animais bravios ou nervosos são desclassificados. Mansidão é um fator de seleção.
TENDÕES – (V. Membros).
TESTA – (V. Fronte).
TESTÍCULOS – (V. Bolsa Escrotal).
TETAS – São pequenas ou médias, condenando-se as muito grossas e longas, ou muito atrasadas e muito dirigidas para as laterais.
TETAS NOS MACHOS – São duas. Quanto mais verticais e longe da Bolsa Escrotal indicam menor aptidão leiteira. Quanto mais próximas da Bolsa e mais oblíquas indicam maior aptidão leiteira. Sendo horizontais indicam malformação do sistema mamário nas futuras filhas.
TÓRAX – Deve ser largo e profundo, condenando-se o acoletamento. O perímetro torácico corresponde a três vezes a altura do corpo. Assim, se a altura do corpo medir 0,80 m, então o perímetro torácico deverá ser de 2,40 metros.
TRONCO, altura – (Ver Altura, Tronco).

U
ÚBERE – É esponjoso, de volume médio, recoberto por pele fina e sedosa. Condena-se o úbere penduloso, pois o ideal é chegar, ao máximo, até perto dos jarretes. Posição normal no corpo: entre a perpendicular que passa pelo osso sacro e a que passa pelo ponto de inserção da cauda. Quanto mais próximo estiver do acro estará indicando aptidão leiteria. Uma espessa dobra de pele protetora indica forte aptidão leiteira.
UMBIGO – (V. Baínha).

V
VASSOURA – De cor preta, admitindo-se a capa mesclada ou até branca, nos animais de pelagem clara. Condenam-se a cor branca ou avermelhada em geral. Sendo em forma de tufo arredondado, indica aptidão para corte. Sendo longa, não muito espessa nem grosseira, indica aptidão leiteira. Condena-se a vassoura escorrida, formada por poucos fios, longos, duros, iniciando quase da mesma largura que o próprio sabugo, bem como as remontadas (cabeludas). Vassoura encaracolada é sinal de pureza racial.
VAZIO – (V. Flancos).
VENTAS – (V. Focinho).
VEIA DE LEITE – No Baixo Ventre, dirigindo-se ao Úbere: indica forte aptidão leiteira.
VENTRE – O volume do ventre é diretamente proporcional à função digestiva do animal. Pouco volume ventral indica animais andejos ou aptos a esportes ou trabalhos movimentados intensos. Ventre volumoso indica animais que caminham pouco e são aptos à produção leiteira. A presença de pêlos grossos e ásperos nessa região indica baixa fertilidade.
VULVA – De conformação e desenvolvimento normais, sendo condenadas as atrofiadas. A coloração é escura, rejeitando-se aquelas com manchas brancas.

Fonte: Revista Agropecuária Tropical

Filed in: Destaques, Guzerá

Deixe seu comentário

Enviar comentário

© 2017 Fazenda Lageado. All rights reserved. XHTML / CSS Valid.
Desenvolvido e hospedado por AltaMogiana.com.